FE divulga Manifesto em Defesa das Universidades Públicas Brasileiras

Intervenções recentes sofridas pelas universidades indicam o desmonte da educação pública, afirma documento

Thais Rodrigues Marin | 14/12/2017 | Atualizada 15/12/2017 - 10:55
  • Foto: Lucas Rodolfo de Castro Moura / LRDrone

A Faculdade de Educação da Unicamp torna público Manifesto em Defesa das Universidades Públicas Brasileiras. O documento foi aprovado em 13 de dezembro, na reunião da Congregação da unidade.

"As intervenções violentas e arbitrárias contam com a participação do aparato do Estado e indicam que o desmonte da educação pública é um projeto patrocinado pelos governos federal e estadual. Contam com o apoio de estratos sociais interessados na privatização do patrimônio educacional público amealhado durante décadas e com a anuência de parcela da mídia sensacionalista e comprometida com os interesses do capital nacional e internacional", afirma o documento.

Leia abaixo o texto completo do Manifesto.

Acesse também:

Moção de Repúdio e Solidariedade à Profa. Cynthia Agra de Brito Neves e à Congregação do Institudo de Estudos da Linguagem da Unicamp (IEL), do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (IFCH)

Moção de Solidariedade à Universidade Federal de Minas Gerais e de Repúdio à Violação ao Estado Democrático de Direito no País, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (IFCH)

Moção de Repúdio e Solidariedade à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp (IEL)

 

MANIFESTO EM DEFESA DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS
Faculdade de Educação da Unicamp


As universidades públicas têm sido alvo de ataques constantes que visam desmontar, desqualificar e desmoralizar seus gestores, professores, funcionários e estudantes do ensino público e gratuito.

Exemplos sobejam: a operação PhD contra a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (09/12/2016), a operação Research contra a Universidade Federal do Paraná (13/02/2017), o desmonte da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e o adiamento do início do ano letivo de 2017 (01/08/2017), a operação Ouvidos Moucos contra a Universidade Federal de Santa Catarina (14/09/2017), a operação Esperança Equilibrista contra a Universidade Federal de Minas Gerais (06/12/2017).

Essas instituições constituem um patrimônio cultural, educacional, científico e artístico construído pela sociedade e sustentado pelo trabalho de gestores, professores, funcionários e milhares de estudantes que passam por elas há décadas e financiado pelos recursos públicos destinados ao ensino superior. Elas respondem por cerca de 90% da ciência e tecnologia produzidas no país.

As intervenções violentas e arbitrárias contam com a participação do aparato do Estado e indicam que o desmonte da educação pública é um projeto patrocinado pelos governos federal e estadual. Contam com o apoio de estratos sociais interessados na privatização do patrimônio educacional público amealhado durante décadas e com a anuência de parcela da mídia sensacionalista e comprometida com os interesses do capital nacional e internacional.

As universidades públicas precisam indignar-se contra o clima de hostilidade, obscurantismo e criminalização que alimentam atitudes neofascistas, tais como, as ocorridas com a Profa. Cynthia Neves do IEL/Unicamp que por meio de telefonema anônimo foi ameaçada de morte em virtude de temas sobre homossexualidade abordados em suas aulas de leitura e produção textual do Programa de Formação Interdisciplinar Superior (PROFIS) seguindo um currículo institucional.

Assim, manifestamo-nos em defesa das Universidades Públicas brasileiras pelo seu caráter de bem público e social, direito humano universal e dever do Estado.