Exposição sobre Malba Tahan comemora Dia Nacional da Matemática

Obras e objetos pessoais do intelectual compõem acervo do Centro de Memória da Educação

05/05/2017 | Atualizada 07/05/2017 - 14:18
  • Julio Cesar em seu escritório. Arquivo Malba Tahan / Centro de Memória da Educação-FE-Unicamp
  • Julio Cesar de Mello e Souza durante a Missão Brasil-Uruguai. Montevidéu, URU, entre set. e out. 1940. Arquivo Malba Tahan / Centro de Memória da Educação-FE-Unicamp
  • Capa da Revista Erre, criada por Julio Cesar de Mello e Souza aos 10 anos de idade. Arquivo Malba Tahan / Centro de Memória da Educação-FE-Unicamp
  • Julio Cesar de Mello e Souza com seu jaleco em uma apresentação. Arquivo Malba Tahan / Centro de Memória da Educação-FE-Unicamp
  • Retrato de Julio de Mello e Souza. Arquivo Malba Tahan / Centro de Memória da Educação-FE-Unicamp

De 02 a 12 de maio, a Faculdade de Educação da Unicamp recebe a III Exposição Malbatemática, promovida pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Matemática nos/dos Anos Iniciais (GEPEMAI) e o Centro de Memória da Educação (CME), com apoio da Biblioteca Prof. Joel Martins. A mostra reúne obras, cadernos e objetos pessoais de Malba Tahan, pseudônimo do professor Júlio César de Mello e Souza (1895-1974), considerado o mestre da educação matemática no Brasil.

Os materiais da mostra compõem o acervo pessoal de Malba Tahan, doado ao CME, em 2010, por intermédio de sua família. Contando com mais de 20 mil itens, produzidos entre 1907 e 1974, o conjunto reúne cadernos de memórias, cadernos de viagem, produção intelectual, fotografias e objetos. O trabalho de identificação e catalogação do acervo foi iniciado em 2012 pelo professor André Paulilo, coordenador do CME à época. Hoje, mais de 10 mil documentos já foram classificados, entre eles cadernos de viagens, cadernos de arquivos e álbuns de recortes, que estão disponíveis para consulta e pesquisa.

Malba Tahan é o personagem árabe criado por Júlio César, em 1925, que se tornou celebridade no Brasil ao publicar seus contos em diversos jornais. Foram duas décadas de trajetória até que descobrissem a verdadeira identidade do intelectual estrangeiro. Como Malba Tahan, Júlio César escreveu mais de 100 livros, em sua maioria voltados ao ensino de matemática. Entre eles está “O homem que calculava”, de 1938, a mais conhecida de suas obras. O Dia Nacional da Matemática, 06 de maio, é comemorado em homenagem à data de seu nascimento.

“Júlio César de Mello e Souza foi perfeito na missão que abraçou”, afirma o professor da Faculdade de Educação (FE) Sérgio Lorenzato no texto que abre a exposição. Lorenzato foi aluno de Malba Tahan e responsável pelo diálogo com sua família para a doação de seu acervo ao CME. E complementa: “Ele foi um arauto e um precursor porque propôs novos métodos de ensino para a matemática, anunciou novos tempos e horizontes para a educação matemática”.

Um colecionador

O Archivo tem por fim conservar muitos papéis, cartas, retratos, cartões, etc. que não podem ficar no Diário. Será, portanto, um auxiliar magnífico e indispensável. Todo e qualquer documento de minha história, será conservado de agora em diante no Archivo” é o que escreveu Júlio César em 1918, aos 23 anos, em um dos cadernos pessoais que estão sob a guarda do CME.

“Malba Tahan era um colecionador”, comenta André Paulilo. Para ele, a variedade do acervo pessoal do intelectual surpreende. Denise Gonçalves, arquivista do CME, também concorda que uma das características que diferencia o conjunto de materiais é justamente a preocupação de Malba Tahan em manter a memória de sua trajetória. Para além de registros de seu trabalho como professor e intelectual, também fazem parte do acervo diversos cadernos de recortes produzidos pelo próprio Malba Tahan e que reúnem textos publicados em jornais, correspondências trocadas, fotografias e anotações diversas. “A cada cidade que Malba Tahan visitava, por exemplo, ele montava um dossiê sobre a cidade, com fotos e dados de cada município”, relata Denise.

E essa consciência a respeito da importância do arquivo para a memória veio desde cedo. Prova disso é que compõe o acervo a revista “Erre”, criada e escrita à mão por Malba Tahan aos 10 anos de idade. Foi nessa época que ele criou, provavelmente, seu primeiro pseudônimo: Salomão IV, o editor da revista.

“Grande parte da preocupação de Malba Tahan era com a divulgação do ensino da matemática. Então, o acervo que está no CME é riquíssimo para estabelecer um diálogo qualificado com as concepções de educação matemática e do ensino renovado de matemática”, explica André Paulilo. Ele prevê que mais quatro anos ainda serão necessários para finalizar o projeto de classificação de todos os itens e construção de um catálogo geral. Hoje, o trabalho de identificação do CME está voltado aos textos originais escritos por Malba Tahan. “Para o futuro, o objetivo é trabalhar para desenvolver no Centro um setor de pesquisa especializado em ensino de matemática e de ciências”, projeta.


Saiba mais
 

III MALBATEMÁTICA
Exposição sobre Malba Tahan, trazendo o tema “O legado educacional do mestre Malba Tahan”, com o objetivo de mostrar a atualidade das lições do mestre, com mostra de objetos, obras, cadernos e materiais pertencentes a Mello e Souza, além de mostra digital.

Local: Saguão da Biblioteca Joel Martins (FE-Unicamp)
Período: de 02 a 12 de maio