Na militância e na sala de aula - Uma professora visitante na Faculdade de Educação da Unicamp

Maria Amélia de Almeida Teles reflete sobre sua participação como docente convidada do curso de Pedagogia

09/05/2018 | Atualizada 10/05/2018 - 10:42
  • Amelinha com alunos do curso de Pedagogia da FE no último dia de aula. Foto: Divulgação.
  • Maria Amélia de Almeida Teles, Amelinha, em gravação feita pela FE-Unicamp. Foto: FE-Unicamp.

As segundas-feiras do primeiro semestre de 2017 foram dias marcantes para ela. Em sala de aula, pôde verificar pessoalmente o interesse de alunas e alunos pelos feminismos e pela história das lutas das mulheres. "A emoção de uma ativista se transformar em professora visitante". É deste modo que Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha, descreve a experiência vivida como professora visitante da Faculdade de Educação da Unicamp.

No primeiro semestre de 2017, Amelinha ministrou a disciplina "Direito à Infância e à Educação: Educação Infantil em creches, uma história das mulheres" , com a supervisão da professora Ana Lúcia Goulart de Faria. O relato de sua experiência como docente da Unicamp acaba de ser publicado como ensaio no último número da Revista Teoria & Prática, da Associação de Leitura do Brasil. 

Amelinha é militante feminista e diretora da União de Mulheres de São Paulo. Foi presa e torturada pela ditadura militar brasileira. Recentemente, coordenou a Comissão Estadual da Verdade “Rubens Paiva” de São Paulo (2012-2015) e atuou como assessora da Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura Municipal de São Paulo (2015-2016). Sua participação na disciplina da FE foi possibilitada pelo Programa Professor Especialista Visitante em Graduação (CAPPEVG), da Pró-Reitoria de Graduação da Unicamp.

"O momento, entretanto, é de impasse: enquanto o mundo propõe uma educação despatriarcalizada e descolonizadora, no Brasil, forçaram e conseguiram a retirada das expressões gênero, 'identidade de gênero' e 'orientação sexual' dos planos de educação e na base curricular nacional de ensino. Ao retirar gênero, pretendem educar a sociedade para a submissão e também sufocar os movimentos feministas e de mulheres, os movimentos antirracistas e LGBTs, reduzindo assim o potencial de resistência de um povo, o que interessa aos capitalistas para manter a população dominada e alienada. Não podemos aceitar tal retrocesso", relata em trecho do ensaio.

Leia o ensaio completo.

Assista à entrevista que a Amelinha concedeu a FE-Unicamp sobre o feminismo e a luta das mulheres.