Faculdade de Educação da Unicamp divulga manifesto em defesa da democracia

FE se posiciona contra o fascismo, o obscurantismo e o império do ódio e em defesa da democracia, da liberdade, da diversidade e dos direitos humanos

Juliana Marques Lourenço | 30/06/2020 | Atualizada 30/06/2020 - 11:30

A Faculdade de Educação da Unicamp torna público o Manifesto em Defesa da Democracia. O documento foi aprovado na 344ª Reunião Ordinária da Congregação da Unidade, realizada no dia 24 de junho de 2020. 

Leia abaixo o manifesto na íntegra:

MANIFESTO DA FE-UNICAMP EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Diante dos frequentes arroubos autoritários do Governo Federal, particularmente na pessoa do próprio Presidente da República, encorajada por seus familiares e seguidores, ameaçando conquistas históricas do povo brasileiro e consagradas na Constituição Federal de 1988, a Faculdade de Educação da UNICAMP vem a público manifestar-se em defesa da democracia e das instituições democráticas, dos direitos humanos, da justiça social e do respeito à diversidade étnica, cultural, racial, de gênero e de credo.

O Brasil vive uma crise política gravíssima, desencadeada, capitaneada e diariamente alimentada pelo próprio Presidente da República, que, sem qualquer sombra de constrangimento ou lampejo de decoro, não hesita em atacar os adversários políticos, reais ou imaginários, a imprensa, o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, o sistema eleitoral, o sistema judiciário, as Universidades, a ciência, enfim, tudo o que possa representar obstáculo ao seu governo obscurantista, ultraliberal e de vocação fascista.

Não são poucos os sinais de que, a depender do Presidente, caminhamos para uma ruptura institucional: numerosa presença de militares, inclusive da ativa, no governo, em ministérios e em escalões inferiores, alguns em substituição a técnicos especializados em suas áreas de atuação, como se tem observado, por exemplo, no Ministério da Saúde, em uma demonstração, inclusive, de irresponsabilidade no enfrentamento da Pandemia do novo Coronavírus; constituição de um sistema próprio de informação e espionagem, a serviço da Presidência; tentativa de ingerência na Política Federal para controle de investigações; apoio explícito e enfático a manifestações favoráveis ao fechamento do Congresso e do STF e a outras medidas autoritárias e inconstitucionais; indícios de associação com milícias; aliciamento de policiais civis e militares dos estados e apoio a motins; intenção abertamente declarada de armar a população para uma eventual guerra civil; instalação no Palácio do Planalto do “Gabinete do Ódio”, com a finalidade de produzir e veicular fake news contra a oposição e em defesa do governo; estímulo à polarização política como forma de fomentar a discórdia e o conflito e, assim, justificar uma intervenção militar; distorção da Constituição para justificar atos ou intenções autoritárias, entre muitos outros.

A sociedade brasileira, que ainda hoje sofre as consequências nefastas dos mais de 20 anos do último período ditatorial, não pode tolerar que sua jovem democracia, que custou luta, exílio, sangue e morte de muitos dos filhos e filhas desta terra, seja assim vilipendiada, ignorada, pisoteada. Algumas dessas ações do Presidente configuram crime de responsabilidade, crime eleitoral ou mesmo crime comum, como já foi sobejamente apontado por inúmeros juristas e analistas políticos. Cumpre, portanto, apurar com rigor esses eventuais crimes e, condenado, dar ao criminoso a sentença devida.

Diante desse quadro de extrema gravidade, a Faculdade de Educação da UNICAMP se une aos setores democráticos da sociedade brasileira na resistência contra o fascismo, o obscurantismo e o império do ódio e em defesa da democracia, da liberdade, da diversidade e dos direitos humanos para todos os brasileiros e brasileiras.