Pro-Posições - v. 23, n. 2 (2012) Dossiê: Manuais Escolares: múltiplas facetas de um objeto cultural

O que é um manual escolar? A que gênero textual pertence? A que lógica de produção obedece? Que funções desempenha na escola? Que efeitos exerce sobre os alunos? Estas são algumas das questões analisadas nos artigos incluídos no dossiê "Manuais Escolares: entre as práticas escolares e a pesquisa histórica", publicado neste número da Revista Pro-Posições.

Trata-se de um tema oportuno, neste momento em que o Brasil, segundo a Associação Internacional dos Editores, surge como o nono mercado editorial do mundo e o mercado de livros é agitado por notícias de fusões de editoras, que marcam uma internacionalização acelerada do setor. 

O Brasil lê mais, afirma o discurso jornalístico. Não custa lembrar, no entanto, que o crescimento da venda de livros continua fortemente impulsionado pelas compras do governo. Elas representam quase 40% do total e cresceram 13,7% no último ano, em oposição aos 3,34% de crescimento das compras de particulares, segundo os dados da Câmara Brasileira do Livro. Ora, como sabemos, essas compras do governo referem-se, em grande parte, aos manuais escolares ou, no vocabulário contemporâneo, aos livros didáticos.

Os artigos reunidos neste dossiê dissecam, numa perspectiva histórica que se desdobra em ângulos diversos e contextos nacionais diferentes, essa ferramenta pedagógica, objeto de tantos investimentos materiais e afetivos. Mais do que isso, oferecem ao leitor exemplos instigantes das múltiplas maneiras como o manual escolar pode ser construído como objeto de estudo. Acreditamos, assim, que o dossiê se tornará uma referência importante para os pesquisadores de diferentes áreas, iniciantes ou iniciados, que se interessam pelo tema.

Este número traz também análises sobre autores fundamentais para a pesquisa em educação, assim como sobre práticas e métodos pedagógicos, além de uma discussão sedutora sobre a leitura que os programas de rádio fizeram da escola e da escolarização nas décadas de 1930 e 1940.
Por fim, juntamo-nos às comemorações do tricentenário de Jean-Jacques Rousseau e dos 250 anos de publicação do Emílio, ou da Educação, oferecendo aos nossos leitores a tradução e o comentário de duas curtas cartas escritas por esse autor, que nos apresentam alguns elementos sobre o homem e seu tempo.