Pro-Posições - v. 21, n. 2 (2010) Dossiê: Entrelugares do corpo e da arte

O dossiê sobre corpo e arte apresentado neste número da Pro-Posições navega entre precisão e poesia nessa temática complexa, provocando um debate polêmico na área. Educação e arte remetem-nos a corpo em suas inúmeras dimensões: natureza, sociedade, ciência, tecnologia, expressão, processo de criação, linguagem, estética. Os artigos compõem um dossiê original e instigante, fazendo interlocução com pensadores e pensadoras de distintas viagens epistemológicas tais como Hannah Arendt, Deleuze, Jung, Merleau-Ponty, Carybé e Nureyev.
As organizadoras do dossiê pretendem “que os leitores e as leitoras usufruam das reflexões aqui compartilhadas e que estas, oriundas de uma fecunda hibridação de campos de conhecimento, possam iluminar as pesquisas e as práticas que estão acontecendo nos espaços entre, sem a intenção de chegar a conclusões definitivas, mas de partilhar, com o poeta, a ‘inexplicável poesia da vida’”.
Diz Ferreira Gullar que a arte é necessária, pois a vida só não basta.
Este número da Pro-Posições também traz uma importante resenha e leitura de um livro que consolida a mais recente interface com a educação, a antropologia. 
Temos ainda quatro artigos: juventude e subjetivação, professores e memória, escola e diferença, estatística e administração.
O Diverso e Prosa, como não poderia deixar de ser, é originalíssimo e deu o tom ao editorial primoroso, assinado pela editora da revista, Luci Banks. Pela primeira vez traduzido no Brasil, o artigo, também no campo da arte, foi escrito pela fílósofa da educação, hoje com 90 anos de idade, Maxine Greene, professora emérita do Teachers College, da Universidade de Columbia (NY).
Finalizo, parafraseando a professora Marina Célia Moraes Dias, que fez a brilhante apresentação de Maxine Greene: reservo ao leitor e à leitora o prazer da descoberta deste número da Pro-Posições.

Ana Lúcia Goulart de Faria