Pro-Posições - v. 22, n. 1 (2011) Dossiê: Histórias e sentidos da leitura para professores em formação

“Histórias e sentidos da leitura para professores em formação” é o título do dossiê organizado por Roseli Aparecida Cação Fontana, que integra o presente número da Revista Pro-Posições. Privilegiando a noção de leitura como prática social e histórica, o dossiê reúne sete textos de pesquisadores de diferentes áreas de ensino, que trazem para discussão questões relacionadas à materialidade e à memória da língua; às condições de produção da leitura; às histórias de leitura e à configuração dos modos de ler dos leitores; às relações intersubjetivas; aos objetivos e às mediações no ato de ler. Se os estudos se voltam para o campo das relações escolares e se baseiam em material empírico referente a diversas instâncias da escola como instituição social, a escolarização é tomada como um dos contextos de produção da leitura. As análises apontam para as condições extraescolares, que são também constitutivas das práticas de leitura de professores e alunos e, ao mesmo tempo, são por elas afetadas. A apresentação de Roseli Fontana explicita o ponto de vista teórico e analítico que sustenta os seis primeiros textos do dossiê e comenta sobre a especial contribuição dos colegas espanhóis na abordagem do tema.

Em se falando de leitores, os que gostam de ler e os que gostam de ensinar a ler podem encontrar inspirações na resenha do livro Literatura e outras linguagens. Ainda na sessão Resenhas, poderão conhecer A educação infantil como projeto da comunidade, relato de uma experiência desenvolvida em San Miniato, na Itália, que enfatiza a participação das crianças e das famílias como protagonistas do processo educacional.

Entre os textos do dossiê e a resenha, quatro artigos convocam-nos à leitura e à problematização de outras questões relevantes, em que ressaltam temas relacionados a linguagem e corpo: uma discussão sobre o prestígio das narrativas na contemporaneidade e a não transparência da linguagem, com base em textos de Merleau-Ponty e Nietszche; sexualidade, gênero, narrativas de si e aspectos da transformação dos discursos sobre a paternidade; uma reflexão sobre o estatuto do corpo, as práticas corporais e o comportamento mimético, com base na Teoria Crítica de Adorno; um estudo sobre a educação do corpo e as colônias de férias como práticas derivadas do (e alternativas ao) espaço urbano. 

Ainda neste número, Diverso e Prosa apresenta-nos as “Nove teses”, de Jens Qvortrup. O texto faz parte do relatório de pesquisa pioneira sobre a Infância como fenômeno social, realizada no período de 1987 a 1992, na Noruega. Nesse texto, ele defende a necessidade de considerar a infância na estrutura social da sociedade moderna, aponta para a importância de atentar para o conjunto das macroforças que influenciam as vidas das crianças e argumenta sobre as fecundas implicações de uma mudança conceitual.

Que o conjunto de textos aqui reunidos possa instigar, afetar e fazer parte da história de leitura dos leitores.


Ana Luiza Bustamante Smolka