REVISTA FERMENTARIO - v. 2, n. 9 (2015) EDUCACIÓN, FILOSOFIA Y ARTE, FUNDAMENTOS DE LA EDUCACIÓN ARTÍSTICA

A Revista Fermentario (UdelaR-UNICAMP) publica a segunda edição de seu número monográfico de 2015, no qual participou também o grupo CEAQ/GREAS, Grupo de Pesquisa sobre eco-formação artística e sociedade. Laboratório de Ética da UNIVERSIDADE PARIS DESCARTES V, La Sorbonne.

O propósito deste número da Revista FERMENTARIO é interrogar-se coletivamente sobre a relação Arte-Filosofia-Educação ou sobre os fundamentos da Educação artística, entendida como via que leva a repensar a significação dos espaços e das experiências educativas. Caminho formativo que envolve as pessoas, diversidades e trajetos vitais, potencializando o desenvolvimento de uma socialização sensível. Estamos frente a um cenário dinâmico, que nos leva a compreender a situação atual da Educação e o lugar do artístico nela, a partir de uma postura filosófica. A experiência artística ligada aos processos formativos e interdisciplinares, conforma a existência de atraentes panoramas de aprendizagens. De modo que a formação desde o artístico favorece a recriação contínua das pessoas ligadas a suas realidades ordinárias. Com efeito, a educação artística convida a uma aprendizagem em que perspectivas distantes podem confluir, como a experiência estética e a reflexão sobre a prática, os processos coletivos e os trajetos individuais, assim como as manifestações artísticas e as efervescências culturais. Habitamos uma dimensão que torna possível questionar as atuais estruturas disciplinares, isto é, o conhecimento fragmentado. Razões pelas quais a reflexão filosófica sobre a Arte e a Educação nos interroga sobre um conhecimento dividido, sobre todo saber de tipo simplificador, que fraciona para que possa compreender.

Estamos diante do desmoronamento de um ensino herdeiro do Iluminismo e do pensamento positivista, na direção de uma formação que conecta as dimensões racionais e sensíveis do ser humano. Deste modo, ingressamos em uma perspectiva em que se revalorizam os aspectos emocionais e sensíveis da formação das pessoas, para a emergência de um conhecimento coletivo que amplifica ou intensifica de outro modo o real. A relação entre arte e Educação pode ser descoberta não apenas em espaços formais, mas também em centros culturais, museus e nos interstícios do institucional. Trata-se, então, de entrar em contato com as dinâmicas de um saber hibrido, que articula verdades relativas e situacionais, que tornam possível localizar-se em um presente socializante.

A primeira parte deste número, correspondente aos artigos enviados para atender à chamada temática, está composta por 10 textos, que interrogam a arte, a filosofia, a educação artística por diferentes pontos de vista, tanto teórico-conceituais quanto práticos.

Na segunda parte (“Miscelâneos”), publicamos outros sete artigos, recebidos por demanda espontânea, dizendo respeito a temas variados no campo da filosofia da educação. O leitor encontrará aqui reflexões concernentes à filosofia de Nietzsche e a questão dos esforços criativos; a filosofia de Zenão de Eleia e o problema do movimento que paralisa; uma análise comparativa entre Sócrates e Diógenes, assim como uma outra em torno dos pensamentos de Moscovici e Deleuze; uma exploração em torno do pensamento de Unamuno; e uma análise com ferramentas arqueológicas foucaultianas sobre o cinema.

Fechando essa edição, apresentamos pela primeira vez em português um artigo do filósofo italiano contemporâneo Paolo Mottana, que reflete sobre o lugar de Eros na educação, na perspectiva de uma antipedagogia. O texto foi gentilmente cedido pelo autor, quando de uma visita em março de 2015 à Universidade Estadual de Campinas, e traduzido por duas de nossas doutorandas em Educação.

Prof. Dr. Sílvio Gallo
FE-Unicamp
Dezembro de 2015

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